sábado, 26 de fevereiro de 2011

É possível parar o tempo?

Digamos que você esteja em um avião viajando para o oeste ao redor da linha equatorial da Terra. Na linha do equador, os fusos horários estão a um pouco mais de 1.600 km de distância, então para atravessar um deles a cada hora, o avião teria de voar a uma velocidade ligeiramente superior a 1.600 km/h.


Se você começasse a voar ao meio-dia, à uma da tarde (de acordo com o seu relógio) você atravessaria um fuso horário, fazendo com que seja meio-dia novamente. Esse processo continuaria enquanto seu avião pudesse permanecer no ar. Assim que seu relógio passasse das 12h59, você o faria voltar para o meio-dia de novo. Durante toda a sua viagem ao redor da Terra em direção ao oeste, o tempo ficaria entre meio-dia e uma da tarde.

Na verdade, você estaria mantendo sua posição na Terra em relação ao sol. Você estaria voando na mesma velocidade em que a Terra está rodando, mas indo em direção contrária, portanto o sol ficaria sempre na mesma parte do céu. Sabemos que ao meio-dia o sol está aproximadamente acima de nossas cabeças, então nessa jornada o sol estaria sempre acima do avião. Na verdade, você estaria perseguindo o meio-dia ao redor do mundo. Se você prefere pores-do-sol, você poderia observar um pôr-do-sol eterno se partisse em sua jornada para o oeste assim que o sol começasse a se pôr.

E se o avião pudesse permanecer no ar por dias ou até semanas? Você ficaria parado no tempo para sempre? A resposta é que a hora do dia seria sempre a mesma, mas a data continuaria a mudar. A hora estaria sempre entre meio-dia e uma da tarde, mas cada vez que você cruzasse a Linha Internacional de Data, no mesmo momento seria meio-dia do dia seguinte.

A Linha Internacional de Data vai do Pólo Norte até o Pólo Sul, através do Oceano Pacífico. Ela fica do lado oposto da linha do meridiano (que é Greenwich, na Inglaterra).

Antes que a Linha Internacional de Data fosse estabelecida, o explorador português Fernão de Magalhães, que foi o primeiro a navegar ao redor da Terra, descobriu, quando voltou, que havia se passado um dia a mais do que o esperado. Seus tripulantes haviam anotado os dias com atenção em seus diários, e aconteceu que durante quase três anos de viagem eles haviam visto um nascer do sol e um pôr-do-sol a menos do que as pessoas que estavam em terra.

Fonte:

http://ciencia.hsw.uol.com.br

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Nave secreta dos EUA pousa depois de sete meses no espaço

Depois de sete meses em órbita, o mini ônibus espacial X-37B pousou em uma pista comum da base aérea de Vandenberg, na Califórnia.


A nave espacial militar não-tripulada havia sido lançada em Abril.

Entre os militares, a nave é conhecida como OTV-1 (Orbital Test Vehicle, ou veículo orbital de testes).

Nave não tripulada

Esta é a primeira vez que os EUA realizam uma missão com uma nave não tripulada, totalmente reaproveitável, capaz de ir ao espaço e retornar. A extinta União Soviética chegou a fazer voos de teste com o seu ônibus espacial Buran, mas o projeto foi abandonado por ser caro demais.

Os militares não confirmaram o que o X37-B levou em seu compartimento de carga, mas especialistas especulam que devem ser sensores de diversos tipos - câmeras e radares, por exemplo - que permitam a visualização de objetos no solo com alta precisão e resolução.

Os testes desses sensores em um veículo reaproveitável é uma opção mais simples, mais barata e mais segura do que enviar satélites que não se sabe se funcionarão adequadamente. Com os sensores devidamente testados, os satélites poderão ser fabricados e colocados em órbita para tarefas de monitoramento e espionagem contínuas.

X37-B

Com 8,9 metros de comprimento, 4,5 metros de envergadura e 2,9 metros de altura, o X37-B tem cerca de um quarto do tamanho de um ônibus espacial. A nave pesa 4.990 quilogramas.

Ao contrário dos ônibus espaciais, que são abastecidos por células a combustível, a nave militar tem painéis solares que se abrem no espaço e baterias de íons de lítio.

O projeto prevê que a nave possa estar pronta para um novo lançamento em apenas 15 dias, mas um novo voo somente deverá acontecer no início de 2011.

Uma segunda unidade do X37-B, fabricada pela Boeing, já está quase pronta.

Militarização do espaço

Se havia alguma dúvida sobre a militarização do espaço, a utilização rotineira da nave espacial militar mostra que isto já é um fato.

A desmilitarização do espaço foi um objetivo perseguido pela diplomacia e pelas Nações Unidas por décadas. Estados Unidos e Israel são os únicos países que defendem abertamente a utilização das missões espaciais para fins militares.

Alguns países demonstraram preocupações com a possível utilização do X37-B para se aproximar e inspecionar satélites, sejam militares ou não.

Com seu grande motor traseiro, a nave tem uma capacidade de manobra inédita. Segundo especialistas em rastrear satélites artificiais, a nave mudou de órbita seis vezes enquanto esteve no espaço.

Fonte:
http://www.inovacaotecnologica.com.br

Planeta maior que Júpter pode ter sido detectado no sistema solar

O observatório espacial WISE, da NASA, pode ter encontrado um quase mitológico Planeta X, um filho rebelde do Sol que prefere viver bem longe de casa.


Embora tenha sido lançado com a expectativa de encontrar uma Estrela X, parece que o Planeta X parece ser um achado mais provável da sonda.

O observatório WISE já terminou sua coleta de dados e atualmente está em hibernação no espaço, à espera de um possível uso futuro, enquanto os cientistas trabalham sobre os dados.

Uma divulgação preliminar das primeiras 14 semanas de dados está prevista para Abril de 2011, e a versão final da pesquisa completa está prevista para março de 2012.

Contudo, nesta semana, a NASA divulgou uma sugestiva coleção de perguntas e respostas sobre a teoria do Planeta X.

A reportagem se refere a um artigo de John Matese e Daniel Whitmire, onde os cientistas defendem que os dados coletados pelo WISE podem ter registrado o Planeta X, que eles chamam de Tique (Tyche), a irmã boazinha da deusa Nêmesis.

Telescópio WISE

WISE é um telescópio que enxerga o universo em infravermelho. Seu nome é uma sigla para Wide-field Infrared Survey Explorer - pesquisa exploratória em infravermelho com visão de campo largo, em tradução livre.

Lançado em dezembro de 2009, ele escaneou uma vez e meia o céu inteiro em quatro comprimentos de onda do infravermelho, capturando mais de 2,7 milhões de objetos no espaço, de galáxias distantes até asteroides e cometas relativamente próximos à Terra.

Como continuava em boa saúde ao final dessa que era sua missão primária, o WISE completou uma missão estendida, na qual foi feita uma varredura completa do cinturão de asteroides, e duas varreduras completas do universo mais distante, em duas faixas de infravermelho.

Até agora, contam entre as descobertas da missão vários corpos celestes anteriormente desconhecidos, incluindo uma estrela uma anã marrom ultrafria, 20 cometas, 134 objetos próximos da Terra (NEOs), mais de 33.000 asteroides no cinturão principal entre Marte e Júpiter e até um belíssimo pássaro celeste.

Planeta X

Alguns astrônomos afirmam que pode existir um enorme planeta, maior do que Júpiter, orbitando o Sol, mas com uma órbita tão distante que o colocaria dentro de uma estrutura chamada Nuvem de Oort.


A Nuvem de Oort é ela própria uma estrutura hipotética, uma espécie de depósito que os astrônomos acreditam ser a fonte de todos os cometas que atravessam o Sistema Solar.

Veja abaixo os esclarecimentos divulgados pela NASA, na forma de um FAQ do Planeta X.

Quando os dados do WISE poderão confirmar ou descartar a existência do hipotético planeta Tique?

É muito cedo para saber se os dados do WISE confirmam ou descartam um objeto grande na Nuvem de Oort. Serão necessárias análises ao longo dos próximos dois anos para determinar se realmente o WISE detectou esse mundo ou não.

As primeiras 14 semanas de dados, que serão divulgadas em Abril de 2011, provavelmente não serão suficientes. O levantamento completo, com divulgação prevista para Março de 2012, deverá proporcionar mais informações.

Depois que os dados do WISE forem totalmente processados, liberados e analisados, a hipótese da existência de Tique, feita por Matese e Whitmire, poderá então ser testada.

É certeza que o WISE teria observado tal planeta, se ele existir?

É provável, mas não uma conclusão definitiva, que o WISE poderia confirmar ou não se Tique existe.

Como o WISE examinou o céu inteiro uma vez, e depois cobriu o céu inteiro novamente em duas de suas bandas infravermelhas seis meses depois, ele poderia ver uma mudança na posição aparente de um grande planeta na nuvem de Oort, nesse período de seis meses.

As duas bandas utilizadas na segunda varredura do céu foram escolhidas para identificar estrelas frias muito pequenas - as anãs marrons - que são muito parecidas com planetas maiores do que Júpiter, como se supõe que Tique seria.

Se Tique existe de fato, por que teria levado tanto tempo para encontrarmos um outro planeta do nosso Sistema Solar?

Tique seria muito frio e com um brilho tênue demais para que um telescópio de luz visível pudesse captá-lo.

Telescópios sensíveis na faixa do infravermelho podem captar o brilho de um objeto assim, se estiver olhando na direção certa.

O WISE é um telescópio sensível de infravermelho que olha em todas as direções.

Por que o planeta hipotético é chamado de Tique, e por que escolher um nome grego quando os nomes de todos os outros planetas derivam da mitologia romana?

Na década de 1980 foi sugerida a existência de um companheiro diferente do Sol.

Propôs-se que esse objeto, batizado com o nome da deusa grega Nêmesis, explicaria as extinções em massa periódicas na Terra.

Nêmesis teria uma órbita altamente elíptica, perturbando os cometas na Nuvem de Oort aproximadamente a cada 26 milhões de anos, enviando uma chuva de cometas em direção ao interior do Sistema Solar.

Alguns desses cometas teriam se chocado com a Terra, causando resultados catastróficos para a vida.

Análises científicas mais recentes já não dão apoio à ideia de que as extinções na Terra acontecem em intervalos regulares. Assim, a hipótese de Nêmesis não é mais necessária.

No entanto, é possível que o Sol tenha um companheiro distante, nunca visto, em uma órbita mais circular, com um período de alguns milhões de anos - que não causaria efeitos devastadores para a vida na Terra.

Para distinguir esse objeto da malévola Nêmesis, os astrônomos escolheram o nome de sua benevolente irmã na mitologia grega, Tique.

Fonte:
http://www.inovacaotecnologica.com.br

Máquinas do tempo do futuro podem ser detectadas hoje

As viagens no tempo não são descartadas pela relatividade geral, embora possam criar problemas para as leis do senso comum.

Agora, uma equipe de físicos está propondo um novo modo de verificar a possibilidade ou a impossibilidade de estados quânticos que viajam para a frente e para trás no tempo.

O novo critério automaticamente desautoriza versões quânticas do "paradoxo do avô", segundo o qual uma pessoa viaja de volta no tempo e mata seu antecessor, garantindo assim a sua própria morte.

A equipe também realizou um experimento que ilustra o mecanismo de anulamento desse paradoxo.

Loops temporais

A relatividade geral, a teoria de Einstein do espaço e do tempo, permite a existência de loops temporais, as chamadas curvas temporais fechadas (CTCs na sigla em inglês: closed timelike curve) - rotas que avançam no tempo e, em seguida, voltam novamente para reconectar-se e formar circuitos fechados, também conhecidas como linhas lorentzianas do tempo.

Embora ainda não esteja claro se as CTCs podem ser criadas, os físicos têm explorado suas possíveis consequências, incluindo a sua influência na mecânica quântica.

Um evento quântico comum pode envolver duas partículas que se movem para frente no tempo, alterando-se mutuamente ao interagir em algum momento e, então, seguem caminhos separados rumo ao futuro.

No entanto, se uma das partículas, seguindo seu próprio futuro, entrar em uma CTC, ela pode voltar e reassumir sua posição como uma das partículas anteriores à interação - influenciando assim a sua própria transformação.

Estados quânticos

Em 1991, o físico David Deutsch, da Universidade de Oxford, propôs uma condição de consistência para evitar paradoxos nas viagens no tempo: uma partícula que volta no tempo desta forma, ao reaparecer no passado imediato à interação, deverá estar no mesmo estado quântico que estava quando partiu da interação para o futuro.

Para ver como essa condição funciona, imagine uma partícula quântica tendo estados chamados 0 e 1. Ela viaja em uma CTC e, em seu retorno, interage com uma partícula "externa" de tal forma que o 0 se torna 1 e o 1 se torna 0.

Tal partícula apresenta o paradoxo quântico do avô: quando ela volta pelo circuito, ela altera seu antigo "self" para o estado oposto.

No entanto, Deutsch mostrou que é possível alcançar a consistência se a partícula estiver em uma superposição- um estado que tem simultaneamente os dois valores, 0 e 1.

A interação altera o 0 em 1, mas o estado geral mantém-se inalterado. Para que isso funcione, a partícula externa também deve estar em uma superposição.

Universos paralelos

O paradoxo é evitado, mas o problema reaparece se a partícula externa for medida.

Nesse momento ela não poderá continuar em seu estado de superposição, devendo tornar-se definitivamente 0 ou 1 - o que significa que a partícula na CTC também não poderá permanecer em uma superposição.

Para preservar a coerência, Deutsch argumentou que a partícula CTC deve existir em dois universos paralelos - um "universo 0" e um "universo 1" - e continuamente alternar entre esses dois universos, de modo que nenhuma contradição ocorra em qualquer um deles.

Lorenzo Maccone e seus colegas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos EUA, e da Universidade de Pavia, na Itália, propõem uma condição mais rigorosa que evita essas dificuldades.

A equipe descobriu que somente os fótons que não geram os paradoxos passaram incólumes pelo experimento. [Imagem: RLE/MIT]

Impossibilidade de alterar o passado

Eles exigem que qualquer medição da partícula que está indo para o futuro produza o mesmo resultado gerado em sua medição quando ela retornar do passado.

Assim, não se permite qualquer estado que possa alterar o passado quando ela voltar no tempo, impedindo o surgimento do paradoxo do avô.

Talvez de forma surpreendentemente, Maccone afirma que "nós ainda podemos ter CTCs mesmo com essa condição forte."

De antemão, somente podem existir estados que evitem os paradoxos após a interação - por isso a equipe chama sua condição de "pós-seleção."

Simulação da viagem no tempo

Para demonstrar essas ideias, a equipe realizou um experimento com fótons, mostrando que a condição de consistência de fato escolhe estados específicos e destrói todos os demais.

Por falta de uma CTC real para realizar a pós-seleção, a equipe criou fótons em um estado quântico específico para a entrada, um estado onde a polarização não era conhecida e nem medida, mas tinha uma correlação com outra propriedade, associada com a trajetória do fóton.

Conforme o fóton atravessava o experimento, ele passou por mudanças que imitam a alternância de 0 para 1 que ocorre no imaginado arranjo da viagem no tempo.

A equipe descobriu que somente os fótons que não geram os paradoxos passaram incólumes pelo experimento.

Embora o resultado esteja de acordo com o esperado, ninguém havia simulado a viagem no tempo desta forma antes.

Detecção de futuras máquinas do tempo

Uma consequência estranha da pós-seleção é que, como a presença de um CTC anula completamente os estados paradoxais, ela pode impedir alguns estados que hoje parecem inócuos, mas que podem ter consequências inaceitáveis no futuro.

"Em princípio, pode-se detectar a existência futura de máquinas do tempo procurando-se por desvios atuais nas previsões da mecânica quântica," afirma Todd Brun, da Universidade da Califórnia do Sul, em Los Angeles.

Embora, segundo ele, seja difícil saber de antemão o que exatamente se deve medir em busca de tais desvios.

Fonte:
http://www.inovacaotecnologica.com.br

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Em busca da imortalidade

Nascer, reproduzir, morrer - eis o ciclo da vida. Mas isso é só por enquanto. A ciência está trabalhando para que ninguém mais morra de velho. E é possível que dê tempo de você entrar nessa.
Para o movimento transumanista, a tecnologia vai mudar o homem e, cedo ou tarde, torná-lo imortal.


Enquanto os místicos tentam transcender os limites do corpo pela força espiritual, alguns pensadores, na direção oposta, acreditam que poderemos chegar ao paraíso pelo caminho da ciência e da tecnologia.

Eles se autodenominam “transumanistas” e acreditam que a humanidade será radicalmente modificada pela tecnologia no futuro – a tal ponto que, em algum momento da história, nossos descendentes deixarão de ser, sob muitos aspectos, seres humanos. Uma das idéias combatidas pelos transumanistas é que o envelhecimento e a morte são acontecimentos inevitáveis. Mas, ao contrário de algumas religiões, que pregam a imortalidade espiritual ou a vida depois da morte, os transumanistas acreditam na possibilidade da imortalidade física.

Para isso, bastaria superar as atuais limitações biológicas do homem, por meio dos avanços esperados em áreas como nanotecnologia, engenharia genética e cibernética. Para os transumanistas, cedo ou tarde, vai chegar o dia em que a morte só ocorrerá por acidente ou por decisão voluntária.

Um dos principais teóricos do transumanismo foi o escritor F.M. Esfandiary. Filho de um diplomata iraniano, ele nasceu na Bélgica, em 1930, e escreveu algumas obras de ficção científica antes de mudar seu nome para FM-2030, por acreditar que viveria pelo menos até os 100 anos. “Eu não tenho idade. Nasço e renasço todos os dias. Pretendo viver para sempre. E provavelmente viverei, a não ser que ocorra um acidente”, disse certa vez.

FM-2030 morreu em 2000, aos 69 anos, vítima de câncer no pâncreas. Seu corpo foi congelado na Alcor Life Extension Foundation, nos Estados Unidos, seguindo a prática da criogenia, que consiste em preservar o corpo à baixa temperatura – à espera de um dia em que a ciência possa ressuscitá-lo e realizar sua obsessão de vida eterna.

Hibernação humana?

Hibernar pode ser uma solução para que o corpo humano resista a uma viagem espacial de longa distância, uma opção sugerida por um grupo de cientistas que analisou o processo de hibernação dos ursos negros do Alasca.


Cientistas da Universidade do Alasca descobriram que os ursos negros reduzem levemente sua temperatura corporal durante esse período, mas sua atividade metabólica fica muito abaixo dos níveis de outros animais que também hibernam.

Confira a matéria em http://noticias.terra.com.br

Brasil prepara 1º foguete para 2012, mas uso é incerto

O Brasil prepara, para 2012, um feito inédito em seu programa espacial: pela primeira vez, irá colocar no espaço, a partir do seu próprio solo, um foguete com um satélite a bordo. Trata-se do Cyclone-4, foguete de fabricação ucraniana que deve ser lançado no ano que vem da base de Alcântara (MA), em uma parceria que começou a ser orquestrada em 2003. Pelo acordo, o Brasil entra com a base, e a Ucrânia, com a tecnologia do foguete.


Um lançamento bem-sucedido pode elevar o status dos dois países no cenário espacial global. No entanto, um dos dilemas do programa é quanto ao uso que o Brasil poderá dar ao Cyclone-4. Alguns especialistas ouvidos pela BBC Brasil consideram "altamente questionável" sua viabilidade comercial.

Uma questão-chave é a capacidade limitada de carga do Cyclone-4: para a chamada órbita geoestacionária, em que o satélite fica a 36 mil km de altitude e parado em relação a um ponto na superfície da Terra, o foguete só consegue levar carga de 1,6 mil kg, o que é considerado insuficiente para muitos satélites de comunicação.

"O programa foi inicialmente proposto como uma empreitada de cunho comercial, e que deveria se sustentar com a venda dos serviços de lançamentos de satélites. Mas sua evolução não corrobora essa hipótese", disse José Nivaldo Hinckel, coordenador do departamento de mecânica espacial do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

Fontes ligadas à ACS, empresa binacional criada pela parceria Brasil-Ucrânia, admitem que será necessário encontrar um "nicho de mercado" para o Cyclone-4, já que muitos satélites públicos e privados não cabem no foguete. Mas a empresa diz que já está participando de concorrências internacionais e que negocia qual satélite participará do lançamento inicial do foguete.

Vantagem geográfica

Para Carlos Ganem, presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), o programa com a Ucrânia "inaugura um tempo novo" para o Brasil e permitirá que o país usufrua de sua vantagem geográfica. Como Alcântara fica próxima à Linha do Equador, lançamentos feitos ali permitem o uso eficiente do movimento de rotação da Terra, gastando 30% a menos de combustível no envio de foguetes ao espaço.

Além de serem considerados importantes pelo uso em telecomunicações, os satélites são muito usados para coletar informações sobre clima, navegação, ocupação de solo e monitoramento da região amazônica. "São essenciais para que o Brasil exerça sua autonomia", opinou Ganem, dizendo que o país ambiciona ter satélites feitos em parceria com Argentina e África do Sul que possam ser lançados em Alcântara.

Para Hinckel, do Inpe, porém, "é difícil justificar um programa espacial autônomo (como o do Cyclone) sem que o segmento de comunicações geoestacionárias seja contemplado". Fernando Catalano, professor de engenharia aeronáutica da USP de São Carlos, disse achar importante o desenvolvimento proporcionado à base de Alcântara, mas considera improvável que o lançador traga lucros de curto prazo para o Brasil ou que elimine a dependência do país para lançamentos de satélites.

Preparativos

Do lado brasileiro, a ACS diz que está preparando a parte estrutural de Alcântara para o lançamento do Cyclone-4. Já do lado da Ucrânia, 16 empresas estão contribuindo para a construção do foguete, na cidade de Dnipropetrovsk (centro-leste do país). Segundo os projetistas, essa versão do Cyclone terá alta precisão e um aumento de 30% na capacidade de carregar combustível. O artefato terá vida útil estimada de entre 15 e 20 anos.

Para Ganem, trata-se de "um lançador confiável, da escola soviética". Para Catalano, é um foguete não muito grande nem muito caro, e a família Cyclone, existente desde 1969, tem um histórico bem-sucedido (em 226 testes de lançamento, houve apenas seis falhas).

Segundo a ACS, outro ponto importante é que não haverá contato humano com o foguete na base. Isso impediria a repetição do ocorrido em 2003, quando uma explosão no VLS (Veículo Lançador de Satélites) resultou na morte de 21 técnicos em Alcântara. No entanto, Hinckel cita preocupações com o combustível propelente "altamente tóxico" que será usado no lançamento. A ACS alega que não haverá manuseio do combustível - que virá da China, via navio -, apenas de seu recipiente.

Tecnologia

Em aparente mostra da preocupação com a viabilidade comercial do projeto, telegramas diplomáticos divulgados pelo site WikiLeaks apontaram recentemente que a Ucrânia sugeriu aos Estados Unidos que lançassem seus satélites a partir de Alcântara.

Os documentos indicam que os americanos condicionaram seu interesse pela base à não transferência de tecnologia ucraniana de foguetes ao Brasil. O embaixador ucraniano em Brasília, Ihor Hrushko, disse à BBC Brasil (em entrevista prévia ao vazamento do WikiLeaks) que formalmente não há acordo para a transferência de tecnologia no Cyclone-4, mas sim expectativa de que a parceria bilateral continue "para que trabalhemos em conjunto em outros processos".

Ele disse que transferir tecnologia não é algo de um dia para o outro, "é um processo duradouro, de anos". Mas ele afirmou que o Brasil é o "sócio mais importante" da Ucrânia no continente - tanto que, em 10 de janeiro, o presidente do país, Viktor Yanukovich, telefonou à presidente Dilma Rousseff para falar sobre a expectativa de criar uma "parceria estratégica" com o Brasil a partir do foguete. Os dois presidentes esperam estar presentes no lançamento do artefato.

A ACS, por sua vez, afirmou que a expectativa de transferência de tecnologia existe, mas ressaltou que não é esse o objetivo do tratado binacional. Ainda que o intercâmbio tecnológico seja considerado importante para os especialistas consultados pela BBC Brasil, alguns destacam que a não transferência acabou estimulando o desenvolvimento de tecnologias brasileiras.

É o caso do satélite CBERS-3, que será lançado na China em outubro, com o objetivo de monitoramento ambiental e controle da Amazônia: suas câmeras foram produzidas em São Carlos (SP), com tecnologia nacional da empresa Opto.

Fonte:
http://noticias.terra.com.br

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Conheça 3 teorias religiosas desacreditadas pela ciência

É comum de quase todas as religiões criarem métodos de cura e teorias baseados na imaginação humana. Algumas destas religiões, não satisfeitas em convencer seguidores utilizando a explicação do "milagre", tentam provar cientificamente os seus costumes.
Veremos aqui três exemplos de teorias religiosas que eram aceitas cientificamente em suas épocas, mas que foram descartadas pelo ponto de vista cientifico atual.

- Água benta


Em 1988, os adeptos da homeopatia acreditaram que finalmente a ciência reconhecera a eficácia desse tipo de tratamento. Isso porque o médico imunologista francês Jacques Benveniste publicou um artigo na revista Nature que mostrava que a água tinha memória, isto é, que ela guardava traços dos elementos que haviam entrado em contato com ela. Como a terapia homeopática baseia-se na ideia da diluição de uma substância ativa na água até que não sobre mais nada dessa substância no remédio, a proposição de Benveniste era a "prova científica" para a eficácia do tratamento. O problema é que ninguém, fora os hoemopatas, levou o artigo de Benveniste muito a sério, pois sua hipótese nunca conseguiu ser reproduzida em laboratório. Para piorar, uma nova pesquisa divulgada em 2005 também pela revista Nature e realizada pelo pesquisador R.J. Dwayne Miller, da Universidade de Toronto (Canadá), e por cientistas do Instituto Max Born, da Alemanha, mostrou que a proposta de que a água retenha alguma "memória" de substâncias com que teve contato está errada. Nessa pesquisa, os cientistas não buscavam criticar o princípio homeopático, mas entender como a água funciona. Mas, mesmo sem querer, eles acabaram jogando um balde de água fria na ideia de Benveniste.

- O gigante de Cardiff


O gigante de Cardiff é a típica fraude que logo é desmascarada pela ciência mas que, mesmo assim, permanece como uma "verdade" para boa parte da população. Em outubro de 1869, um fazendeiro da região de Cardiff, no Estado de Nova York (EUA), alegou ter descoberto em suas terras o "fóssil" de um homem gigante de cerca de três metros de altura petrificado. Muitos religiosos acreditavam ser esta a prova de que nos tempos pré-diluvianos esses gigantes existiram de fato, como na narrativa bíblica de Davi e Golias. Os cientistas logo constataram que tratava-se de uma peça esculpida em gesso e enterrada no local alguns anos antes. Mas isso não impediu que as pessoas de várias partes viajassem até Nova York e pagassem ingresso para ver o gigante de Cardiff, uma "prova verdadeira" dos relatos bíblicos.

- Design inteligente


Os adversários do evolucionismo resolveram construir sua própria teoria científica para tentar explicar racionalmente os atos de criação divina. Essa versão "científica" elaborada pelos criacionistas não chega a ser ciência de verdade, pois não segue os métodos científicos, mas eles se esforçam para fazer parecer que é. A ideia de que há um designer inteligente e sobrenatural atuando sobre o universo é defendida em várias teorias, nem sempre coesas e coerentes entre elas, por cientistas como o bioquímico Michael J. Behe, da Lehigh University, e o biologista molecular Jonathan Wells, do Instituto Discovery para Ciência e Cultura. Um dos argumentos "científicos" usados pelo design inteligente é o da complexidade irredutível. Segundo Behe, existem estruturas biológicas que não poderiam ter evoluído de um estado mais simples. Elas seriam irredutivelmente complexas e, portanto seria impossível que pudessem ter "evoluído" a partir de estruturas menos complexas, pois essas não teriam condições de existir. Para os cientistas, por não ser um método empírico, o design inteligente não é ciência e sim filosofia.

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Provavelmente, isso continuará acontecendo e as teorias sem fundamentos criadas pelas religiões um dia deixarão de ser aceitas pela maioria da população, e finalmente classificaremos essa parte da nossa história apenas como mitologia.

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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

10 razões para você não acreditar na bíblia

Quando um fiel é questionado de onde vem a autoridade da Bíblia a primeira reação é citar a própria bíblia em um argumento circular de pouco valor. Mas esse é um questionamento importante, pois se for derrubado todo o castelo de cartas cai por terra. Terá a Bíblia uma origem sobrenatural? Ela é confiável em tudo o que diz? Ela aborda mesmo todos os aspectos da vida humana? E finalmente, deve ser levada em consideração como um guia a ser respeitado mesmo por aqueles que sequer acreditam em sua mitologia?


Bom, aqui as respostas a todas estas perguntas, em ordem: Não. Não. Não. E sob luz das respostas anteriores: Não. Como posso ser tão enfático nestas negativas? Permita-me que eu explique. Estas são as 10 razões porque você não deveria acreditar na Bíblia:

1 - Contradições: Uma contradição é o que acontece quando duas ou mais afirmações são incompatíveis. A Bíblia está repleta de contradições e elas começam logo no primeiro capítulo de Gênese onde encontramos duas histórias sobre a criação que contradizem uma a outra, tanto na ordem dos acontecimentos como na maneira como as coisas são criadas.

2 - Duplicatas: Semelhante a contradição, porém mais sutis. Trata-se da repetição de uma mesma história na qual os personagens ou a ênfase são diferentes. Exemplos de versões conflitantes incluem os dois grupos de mandamentos, os três patriarcas prostituindo suas esposas e o censo dos Israelitas feito por Davi. De fato, é difícil encontrar uma única história da Bíblia que não venha em diferentes versões. Tais narrativas duplicadas e levemente diferentes colocam em dúvida a autenticidade das histórias assim como sua origem.

3 - Exageros: Parece que os autores da Bíblia não se satisfazem em contar uma história. O exagero chega a ser lugar comum e não raro toca o absurdo. Por exemplo, ao descrever uma enchente, é dito que ela foi tão grande que o topo da mais alta montanha ficou submerso. Enquanto uma inundação pode ser geologicamente identificada, não existe qualquer razão para uma pessoa sensata acreditar em algo de tão grande escala.

4 - Ciência: A Bíblia vai na contramão de praticamente todos os ramos da ciência. Ela afirma que os humanos e outros animais foram criados da maneira como são hoje. A Biologia ensina que evoluímos no percorrer de milhões de anos. A Bíblia afirma que a terra tem apenas alguns milhares de anos. A geologia demonstra que temos mais de bilhões de anos nas costas. Arqueologia e Antropologia por fim, riscam e corrigem uma a uma as narrativas bíblicas como a Arca de Noé e o Colapso de Jericó.


A Bíblia descreve a terra em termos da idade do bronze: um circulo chato, coberto por um domo, estacionário, estacionário no centro do universo que se move ao seu redor. Com o perdão do trocadilho ela está redondamente enganada. Qualquer criança bem informada sabe hoje que a terra é ovalada, rotaciona em seu próprio eixo, é orbitada por um satélite natural que chamamos de lia e órbita o sol, que também é rodeado por outros planetas com seus próprios satélites. Nosso sistema solar faz parte da Via Láctea que é apenas uma galáxia entre tantas outras no universo.

5 - História: A Bíblia também não possui qualquer respaldo histórico uma vez que frequentemente, conta histórias sobre as quais não existem quaisquer provas concretas. Talvez a maior delas seja a lenda do êxodo do Egito. Não é uma questão de não ter sido exatamente assim. Simplesmente nunca aconteceu. O mesmo ocorre com a história de Ester. E não apenas isso como muitas vezes conta a história de civilizações vizinhas de modo equivocado, como quando credita a Dario a conquista da Babilônia, quando de fato tratou-se de Ciro, da Pérsia.

6 - Crueldade: A Bíblia não deveria ser lida para crianças. Suas páginas estão repletas de crueldade de todo o tipo. Da execução de vítimas de estupro ao genocídio de etnias inteiras. Do apoio a escravidão ao mal trato de animais. Em muitos casos a violência não apenas não é combatida como é ordenada pelos autores. E de todos os problemas éticos da Bíblia, é o cristianismo que aponta a maior das injustiças ao amaldiçoar toda a humanidade pelos atos de rebeldia de dois indivíduos.


É um princípio básico de justiça que o inocente não será punido pelos erros do culpado. Nenhum ser racional preocupado com a justiça pune um inocente pelos crimes ( reais ou imaginários) de outra pessoa. O deus bíblico continuamente quebra este princípio e vez após vez pune um inocente pelos pecados de outros. De fato isso é tão presente que toda a religião judaico-cristã está baseada na idéia de expiação dos culpados pelo sangue dos inocentes.

7 - Anonimato: Apesar dos nomes legados pela tradição religiosa, ninguém sabe direito quem escreveu a maior parte dos textos bíblicos. Isso se aplica tanto ao antigo como ao novo testamento. também não sabemos nada sobre quando foram escritos e tudo sobre sua origem vem na verdade dos melhores "palpites" dos acadêmicos e historiadores. Se tivéssemos cinco estudiosos da bíblia em uma sala, teríamos sete opiniões diferentes sobre a autoria de cada livro. Para cada "Moisés jamais escreveu isso" existe um "Claro que não, foi Araão que escreveu" e um "Ambos estão errados foi Jacó que escreveu e mais um "Que absurdo foi Moisés que escreveu sim senhor." As apostas continuam e ninguém obviamente apresente qualquer prova.

8 - Absurdos: A bíblia promove uma visão completamente estranha de como entender o universo e as coisas que existem nele. Este mundo mágico inclue cobras falantes, mulas falantes, uma fruta que faz você ficar esperto, dedos flutuantes escrevendo em muros, uma árvore que deixa você imortal, comida caindo do céu, cajados virando serpentes, água virando sangue, pessoas voltando dos mortos, o sol parando por horas, bruxas lendo o futuro, anjos dormindo com humanas, pessoas que passam dias no estomago de uma baleia, virgens dando a luz e incontáveis aparições de anjos e demônios. Fascinante, sem dúvida uma literatura fantástica. Mas obviamente uma ficção.

9 - Concorrência: A Bíblia não é o único livro que reivindica ser a palavra de um deus, e é na verdade apenas uma entre muitos outras obras, como por exemplo o Alcorão, o Livro Egípcio dos Mortos, O Vedas, O Bhagavtah Guita, o Adi Granth, o Purvas, o Livro de Mórmon entre outros. Sem exceção todos os argumentos utilizados pelos defensores da bíblia pode também ser usado por estes outros livros e muitas vezes com ainda mais autoridade. Acreditar em todos seria um contra-senso. Acreditar em um uma ingenuidade.

10 - Versões: A Bíblia que conhecemos pode ainda ser encontrada em tanta versões que um buscador sincero inevitavelmente acabará sinceramente perdido. Existem várias versões, os Judeus tem suas versões do Antigo testamento, Católicos tem sua Bíblia, Protestantes tem a sua. Os Testemunhas de Jeová também tem a sua própria e todos clamam que estão com a única edição confiável. E mesmo destas versões existem incontáveis traduções, cada uma com a ênfase desejada pelo grupo que a promove.
Conclusão
Existe ainda muitas outras razões para não usarmos a Bíblia como base de nada, e talvez uma que deva ser mencionada é o comportamento alienante, perigoso, violento e intolerante daqueles que acreditam nesse livro cegamente. Se pelos frutos conhecemos a árvore, as pessoas que se alimentaram aqui estão passando mal. Os versículos da Bíblia têm sido usados para justificar mutilação física, xenofobia, homofobia, machismo, racismo, guerra e perseguição política e religiosa. Não apenas isso como é usada para justificar a restrição a muitas coisas, desde pequenos prazeres inofensivos até cuidados médicos a crianças que sofrem com a religião dos pais.

Fonte:
http://viacomica.blogspot.com

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Conheça os privilégios financeiros de se ter uma igreja no Brasil

Reportagem de Hélio Schwartsman, da equipe de articulistas da Folha, mostra que bastam cinco dias úteis e R$ 418,42 para criar uma igreja no Brasil com CNPJ, conta bancária e direito de realizar aplicações financeiras livres de IR (Imposto de Renda) e de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).


"Eu, Claudio Angelo, editor de Ciência da Folha, e Rafael Garcia, repórter do jornal, decidimos abrir uma igreja. Com o auxílio técnico do departamento Jurídico da Folha e do escritório Rodrigues Barbosa, Mac Dowell de Figueiredo Gasparian Advogados, fizemo-lo. Precisamos apenas de R$ 418,42 em taxas e emolumentos e de cinco dias úteis (não consecutivos). É tudo muito simples. Não existem requisitos teológicos ou doutrinários para criar um culto religioso. Tampouco se exige número mínimo de fiéis.

Com o registro da Igreja Heliocêntrica do Sagrado Evangélio e seu CNPJ, pudemos abrir uma conta bancária na qual realizamos aplicações financeiras isentas de IR e IOF. Mas esses não são os únicos benefícios fiscais da empreitada. Nos termos do artigo 150 da Constituição, templos de qualquer culto são imunes a todos os impostos que incidam sobre o patrimônio, a renda ou os serviços relacionados com suas finalidades essenciais, as quais são definidas pelos próprios criadores. Ou seja, se levássemos a coisa adiante, poderíamos nos livrar de IPVA, IPTU, ISS, ITR e vários outros "Is" de bens colocados em nome da igreja.

Há também vantagens extratributárias. Os templos são livres para se organizarem como bem entenderem, o que inclui escolher seus sacerdotes. Uma vez ungidos, eles adquirem privilégios como a isenção do serviço militar obrigatório (já sagrei meus filhos Ian e David ministros religiosos) e direito a prisão especial.

A discussão pública relevante aqui é se faz ou não sentido conceder tantas regalias a grupos religiosos. Não há dúvida de que a liberdade de culto é um direito a preservar de forma veemente. Trata-se, afinal, de uma extensão da liberdade de pensamento e de expressão. Sem elas, nem ao menos podemos falar em democracia.

Em princípio, a imunidade tributária para igrejas surge como um reforço a essa liberdade religiosa. O pressuposto é o de que seria relativamente fácil para um governante esmagar com taxas o culto de que ele não gostasse.

Esse é um raciocínio que fica melhor no papel do que na realidade. É claro que o poder de tributar ilimitadamente pode destruir não apenas religiões, mas qualquer atividade. Nesse caso, cabe perguntar: por que proteger apenas as religiões e não todas as pessoas e associações? Bem, a Constituição em certa medida já o fez, quando criou mecanismos de proteção que valem para todos, como os princípios da anterioridade e da não cumulatividade ou a proibição de impostos que tenham caráter confiscatório.

Será que templos de fato precisam de proteções adicionais? Até acho que precisavam em eras já passadas, nas quais não era inverossímil que o Estado se aliasse à então religião oficial para asfixiar economicamente cultos rivais. Acredito, porém, que esse raciocínio não se aplique mais, de vez que já não existe no Brasil religião oficial e seria constitucionalmente impossível tributar um templo deixando o outro livre do gravame.

No mais, mesmo que considerássemos a imunidade tributária a igrejas essencial, em sua presente forma ela é bem imperfeita, pois as protege apenas de impostos, mas não de taxas e contribuições. Ora, até para evitar a divisão de receitas com Estados e municípios, as mais recentes investidas da União têm se materializado justamente na forma de contribuições. Minha sensação é a de que a imunidade tributária se tornou uma espécie de relíquia dispensável.

Está aí o primeiro milagre do heliocentrismo: não é todo dia que uma igreja se sacrifica dessa forma, advogando pela extinção de vantagens das quais se beneficia.

Sei que estou pregando no deserto, mas o Brasil precisaria urgentemente livrar-se de certos maus hábitos, cujas origens podem ser traçadas ao feudalismo e ao fascismo, e enfim converter-se numa República de iguais, nas quais as pessoas sejam titulares de direitos porque são cidadãs, não porque pertençam a esta ou aquela categoria profissional ou porque tenham nascido em berço esplêndido. O mesmo deve valer para associações. Até por imperativos aritméticos, sempre que se concede uma prebenda fiscal a um dado grupo, onera-se imediatamente todos os que não fazem parte daquele clube. Não é demais lembrar que o princípio da solidariedade tributária também é um dos fundamentos da República"

Hélio Schwartsman, 45 anos, articulista da Folha. Bacharel em filosofia, publicou "Aquilae Titicans - O Segredo de Avicena - Uma Aventura no Afeganistão" em 2001. Escreve para a Folha Online às quintas.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Você praticaria o bem mesmo sem acreditar em deus?

Muitas pessoas religiosas acham difícil imaginar como, sem a religião, é possível ser bom, ou mesmo querer ser bom. Mas as dúvidas vão mais longe, e levam algumas pessoas religiosas a paroxismos de ódio contra aqueles que não compartilham de sua fé.


Trata-se de uma coisa importante, porque considerações morais se escondem por trás de atitudes religiosas em relação a outros tópicos que não têm ligação real com a moralidade.

Aqui, por exemplo, está uma carta, publicada na internet e endereçada a Brian Flemming, autor e diretor de The god who wasrít there [O Deus que não estava lá], um filme sincero e emocionante que prega o ateísmo. A carta intitulada "Queime enquanto damos risada" e datada de 21 de dezembro de 2005, e diz o seguinte:

"Vocês têm mesmo muita cara-de-pau. Queria pegar uma faca, destripar vocês, seus idiotas, e gritar de alegria quando suas tripas saírem para fora bem na sua frente. Vocês estão tentando deflagrar uma guerra santa em que algum dia eu, e outros como eu, posso ter o prazer de tomar medidas como a mencionada acima."

O autor, nesse ponto, parece admitir com um certo atraso que seus termos não são muito cristãos, pois prossegue, mais caridoso:

"No entanto, DEUS nos ensina a não buscar a vingança, mas a rezar por aqueles como vocês."

Sua caridade, porém, dura pouco:

Vou me conformar em saber que a punição que deus infligirá a vocês será mil vezes pior que qualquer coisa que eu possa causar. A melhor parte é que vocês sofrerão por toda a eternidade por esses pecados que ignoram totalmente. A Ira de deus não terá mi-sericórdia. Pelo seu próprio bem, espero que a verdade seja revelada a vocês antes que a faca se conecte a sua carne. Feliz NATAL!!! P. S. Vocês não fazem mesmo a menor idéia do que os aguarda... Agradeço a deus por não ser vocês.

Acho genuinamente intrigante que uma mera diferença de opiniões teológicas possa gerar tamanha virulência.


Segue uma amostra das cartas ao editor da revista Freethought Today, publicada pela Fundação pela Liberdade da Religião (Freedom From Religion Foundation — FFRF), que faz campanhas pacifistas contra a erosão da separação constitucional entre a Igreja e o Estado:

"Olá, comedores de queijo asquerosos. Tem muito mais de nós, cristãos, que de vocês, seus otários. NÃO tem separação de Igreja e Estado e vocês, pagãos, vão se dar mal..
Escória adoradora de Satã [...] Por favor morram e vão para o inferno [...] Espero que vocês peguem uma doença doída como câncer retal e morram uma morte lenta e dolorosa, para que vocês possam encontrar o seu Deus, SATÃ [...] Ei, cara, essa coisa de liberdade da religião é uma droga [...] Então, bichas e sapatonas, vão com calma e olhem por onde andam que quando menos esperarem deus vai pegar vocês [...] Se vocês não gostam deste país e aquilo sobre o que e para que ele foi fundado, vão embora, porra, e vão direto para o inferno [...]

P. S. Fodam-se, vagabundas comunistas [...] Tirem suas bundas pretas dos EUA [...] Vocês não têm desculpa. A criação é prova mais que suficiente do poder onipotente do SENHOR JESUS CRISTO.


Vocês não sairão impunes. Se no futuro isso exigir violência, lembrem-se de que foram vocês que provocaram. Meu fuzil está carregado."

Por que não do poder onipotente de Alá? Ou do Senhor Brahma? Ou até de Javé?
Se acha que Deus precisa de uma defesa tão feroz? Era de esperar que ele fosse amplamente capaz de tomar conta de si mesmo. Saiba, enquanto isso, que o editor que estava sendo agredido e ameaçado de forma tão cruel é uma moça educada e encantadora.


A seguinte carta, datada de maio de 2005, enviada ao escritor e biólogo Richard Dawkins, de um médico britânico com doutorado. Embora seja certamente agressiva, soa-me mais perturbada que odiosa, e revela como a questão da moralidade é um poço profundo de hostilidade contra o ateísmo.

Depois de alguns parágrafos preliminares atacando a evolução (e perguntando sarcasticamente se um "Negro" "ainda está evoluindo"), insultando Darwin pessoalmente, fazendo citações enganosas de Huxley, dizendo que ele era antievolucionista (como ele pode ter obtido um doutorado?), ele conclui:

"Seus livros, seu prestígio em Oxford, tudo o que você ama na vida e já conseguiu conquistar, são um exercício de inutilidade completa [...] A pergunta-desafio de Camus torna-se inescapável: Por que não cometemos suicídio todos nós? Sua visão de mundo realmente tem esse tipo de efeito sobre estudantes e muitas outras pessoas [...] que nós todos evoluímos pelo acaso cego, do nada, e retornamos ao nada. Mesmo se a religião não fosse verdade, é melhor, muito melhor, acreditar em um mito nobre, como o de Platão, se ele traz paz de espírito enquanto vivemos. Mas sua visão de mundo leva à ansiedade, à dependência das drogas, à violência, ao niilismo, ao hedonismo, à ciência Frankenstein, e ao inferno na terra, e à Terceira Guerra Mundial [...] Fico imaginando se você é feliz em seus relacionamentos pessoais. Divorciado? Viúvo? Gay? Aqueles como você nunca são felizes, ou então não se esforçariam tanto para provar que não existe felicidade nem significado em nada."

O sentimento dessa carta, se não seu tom, é típico de muitas delas. O darwinismo, acredita essa pessoa, ensina que evoluímos pelo acaso cego (a seleção natural é exatamente o contrário de um processo casual) e que somos aniquilados quando morremos. Como conseqüência direta de tamanho suposto negativismo, acontece todo tipo de mal. Presumo que ele não tenha mesmo querido sugerir que a viuvez pudesse ser conseqüência direta do darwinismo, mas sua carta, naquele ponto, já havia chegado àquele nível de malevolência frenética que reconhecemos tantas vezes entre cristãos.

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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Telescópio descobre 54 planetas possivelmente habitáveis

O anúncio da descoberta de um incrível sistema planetário com seis planetas pode ter eclipsado os achados mais significativos feitos pelo Telescópio Espacial Kepler.

O gráfico mostra a distribuição dos exoplanetas localizados pelo Kepler segundo o tamanho e a distância de suas estrelas. [Imagem: NASA/Wendy Stenzel]

O fato é que a equipe científica do Kepler anunciou também a descoberta de mais de 1.200 "candidatos a planetas", sendo que 68 do tamanho aproximado da Terra e nada menos do 54 dentro da zona habitável.

Como já havia sido previsto pelos cientistas, o telescópio pode ter encontrado também exoplanetas que possuem luas com condições de abrigar a vida.

Outras Terras

"Nós passamos de zero para 68 candidatos a planeta do tamanho da Terra e de zero para 54 candidatos na zona habitável, uma região onde pode existir água líquida na superfície de um planeta. Alguns candidatos até podem ter luas com água líquida," resumiu William Borucki, do Centro de Pesquisas Ames, da NASA e pesquisador da missão Kepler.

"Cinco dos candidatos planetários são simultaneamente de dimensões comparáveis à da Terra e com órbita na zona habitável de suas estrelas-mãe," revelou o cientista.

Candidatos a planeta são achados que requerem observações subsequentes para confirmar se são planetas reais.

"Nós encontramos mais de mil e duzentos candidatos a planetas - isso é mais do que todos os exoplanetas encontrados até hoje," disse Borucki. "Neste momento eles são apenas candidatos, mas a maioria deles, estou convencido, será confirmada como planetas nos próximos meses e anos."

O primeiro planeta fora do Sistema Solar - exoplaneta ou planeta extrassolar - foi descoberto em 1995.

Milhões de planetas

"O fato de que encontramos tantos candidatos a planeta em uma fração tão pequena do céu sugere que há incontáveis planetas orbitando estrelas como o nosso Sol em nossa galáxia," disse Borucki.

"O Kepler poderá encontrar apenas uma pequena fração dos planetas em torno das estrelas que ele observa porque as órbitas não estão alinhadas adequadamente. Se você levar em conta esses dois fatores, nossos resultados indicam que deve haver milhões de planetas que orbitam estrelas vizinhas do nosso Sol," calcula ele.

O telescópio espacial Kepler está explorando uma fatia ínfima da Via Láctea, medindo cerca de 3.000 anos-luz. [Imagem: NASA/JPL-CALTECH/R. HURT/SSC-CALTECH]

E isto levando em conta que os cientistas até agora só tiveram tempo de analisar os dados coletados até Setembro de 2009. O telescópio Kepler deverá continuar fazendo novas observações pelo menos até Novembro de 2012.

A equipe da Missão Kepler já tem dados confirmados de um total de 15 planetas extrassolares, inclusive o menor exoplaneta conhecido, o Kepler-10b

Fonte:
http://www.inovacaotecnologica.com.br

10 tecnologias da NASA que você usa diariamente

Em 1958, o presidente americano Dwight Eisenhower (1953-1961) assinou a Lei do Espaço, criando oficialmente a Agência Espacial Americana, a Nasa. Desde o começo, o propósito do novo grupo se estendia além das espaçonaves e das botas lunares. A lei estipulava que suas pesquisas e avanços deveriam beneficiar toda a população, e em seus 50 anos de história, a Nasa certamente preencheu esse requisito.


Embora a maioria das pessoas nunca tenha pisado na lua, todas provavelmente estão em contato com alguma tecnologia da Nasa que se transformou em produto de uso diário. Em parceria com várias equipes de pesquisa e companhias, a Nasa continua a gerar uma vasta gama de novas tecnologias e produtos que melhoram o nosso cotidiano. Passos básicos em saúde, segurança, comunicações e até em entretenimento encontram raízes no braço do governo americano normalmente associado com espaçonaves e pessoas flutuando. Na verdade, a Nasa registrou mais de 6.300 patentes com o governo americano [fonte: Nasa Scientific and Technical Information].

Todos os anos, desde 1976, a Nasa vem publicando uma lista de toda tecnologia e produto ligado à sua pesquisa. O jornal "Spinoff", da Nasa, destaca esses produtos, que incluem coisas como marcapassos melhorados, máquinas de exercícios com tecnologia de ponta e rádio satélite. Esses produtos se tornaram possíveis graças às ideias e à inovação da Nasa.

Mas não é preciso ser um cientista de foguetes para usar muitas dessas tecnologias. Conheça dez dessas tecnologias que se transformaram em produtos de uso diário.


Aparelhos ortodônticos invisíveis


Muitos adolescentes - e beldades que dependem da imagem - se encolhem de medo diante da possibilidade de usar aparelhos ortodônticos. Ter os dentes em ordem costumava significar encher a boca de metal. Não mais. Aparelhos invisíveis chegaram ao mercado em 1987, e agora existem várias marcas.


Os aparelhos ortodônticos invisíveis são feitos de alumina translúcida policristalina (TPA). Uma empresa chamada Ceradyne desenvolveu a TPA em conjunto com a unidade de pesquisas de cerâmica avançada da Nasa (Nasa Advanced Ceramic Research) para proteger as antenas infravermelhas dos rastreadores de mísseis termoguiados.

Ao mesmo tempo, outra empresa, a Unitek, estava trabalhando em um novo projeto para aparelhos dentários - um design que poderia ser mais agradável esteticamente e que não teria o fator brilho metálico. A empresa descobriu que a TPA seria forte o bastante para aguentar o uso e é translúcida, fazendo dela o material principal para aparelhos invisíveis. Em razão de sua popularidade instantânea, os aparelhos invisíveis são um dos produtos mais bem-sucedidos da indústria ortodôntica [fonte: Nasa Scientific and Technical Information].


Lentes resistentes a arranhões

Se você deixar seus óculos caírem no chão, as lentes provavelmente não se quebrarão. Isso porque, em 1972, a vigilância sanitária dos EUA (Food and Drug Administration) começou a exigir que os fabricantes usassem plástico em vez de vidro para fazer lentes. Plástico é mais barato de usar, melhor na absorção de radiação ultravioleta, mais leve e não estilhaça [fonte: Space Technology Hall of Fame]. Contudo, ele também tem um calcanhar de Aquiles. Plásticos desprotegidos tendem a arranhar facilmente, e lentes arranhadas podem danificar a vista do usuário.


A sujeira e as partículas encontradas nos ambientes espaciais, levou a Nasa a desenvolver um revestimento para proteger os equipamentos no espaço, particularmente os visores dos capacetes dos astronautas. Reconhecendo ali uma oportunidade, a Foster-Grant, fabricante americana de óculos de sol licenciou a tecnologia da Nasa para seus produtos. A cobertura especial para plásticos tornou seus óculos escuros dez vezes mais resistentes a arranhões do que os de plástico não revestido [fonte: Space Technology Hall of Fame]. Além disso, ela bloqueia os raios ultravioletas que podem prejudicar a visão.


Espuma inteligente

A Nasa ajuda algumas pessoas a dormir melhor à noite. A espuma Tempur, encontrada em várias marcas de colchões, travesseiros e almofadas foi desenvolvida originalmente para voos espaciais e, mais tarde, reempacotada para uso doméstico.


O plástico de silício-poliuretânico de célula aberta (espuma de poliuretano de alta resistência), que ficou conhecido como espuma espacial, foi criado para uso nos assentos das espaçonaves da Nasa com a finalidade de diminuir o impacto durante os pousos. A espuma tem uma propriedade única que permite que ela distribua igualmente o peso e a pressão em seu topo, o que proporciona absorção de choque. Mesmo depois de ter sido comprimida para 10% de seu tamanho, a espuma com memória retornou à sua forma original [fonte: Space Technology Hall of Fame]. Além da memória, a espuma absorve o calor do corpo, mantendo-se sempre em uma temperatura agradável.

Mas o uso da espuma plástica se estendeu além dos céus. Sua distribuição de peso e sensibilidade à temperatura têm papel fundamental para pessoas com deficiência ou alguma doença que as deixam de cama. Os médicos podem moldar a espuma para suportar pacientes, enquanto reduzem a pressão de certas partes do corpo para evitar escaras, por exemplo. Algumas empresas também integraram a espuma Tempur a próteses de braços e pernas porque ela tem a mesma aparência e comportamento da pele, diminuindo a fricção entre a prótese e as juntas.

Outros usos comerciais da Tempur incluem banco de motocicletas, proteção para pilotos de corrida e revestimento interno para capacetes de jogadores de futebol americano.


Termômetro de ouvido

Tomar a temperatura quando se está doente pode ser um negócio complicado. Um termômetro de mercúrio padrão pode se mostrar difícil de ler, e o termômetro retal é muito desconfortável. Em 1991, os termômetros infravermelhos que você coloca no ouvido conquistaram o mundo ao simplificar e agilizar o processo de tirar a temperatura de uma pessoa - principalmente de crianças e bebês.


A Diatek, que desenvolveu o primeiro desses tipos de termômetros, viu a necessidade de reduzir o tempo gasto pelas enfermeiras medindo temperatura dos pacientes. Com cerca de 1 bilhão de temperaturas tomadas nos hospitais americanos anualmente e um número de enfermeiras cada vez menor, a empresa se viu obrigada a começar a cortar os preciosos minutos gastos na observação da subida do mercúrio [fonte: NASA Science and Technical Information] do termômetro tradicional. Em vez disso, a Diatek tirou vantagem dos avanços anteriores da Nasa na medição da temperatura de estrelas com a tecnologia de infravermelho.

Junto com o Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa (JPL), a empresa inventou um sensor infravermelho que serve como termômetro. Os termômetros auriculares tomam nossa temperatura medindo a quantidade de energia que o tímpano desprende dentro do canal do ouvido. Já que o tímpano está dentro do nosso corpo, ele atua como um sensor eficaz da energia interna, que aumenta quando nós ficamos doentes. Os modelos para hospital podem medir a temperatura em menos de dois segundos.


Palmilha de tênis

Quando Neil Armstrong disse a sua famosa frase "um salto gigantesco para a humanidade", ele provavelmente não tinha previsto a conotação literal que ela teria. Os tênis esportivos de hoje emprestaram a tecnologia das botas lunares que deram aquele salto pela primeira vez.


A roupa espacial projetada para as missões Apollo incluía botas especialmente feitas para proporcionar um salto nos passos dos astronautas ao mesmo tempo em que forneciam ventilação. As empresas de calçados esportivos adotaram esse tecnologia para construir tênis melhores, que absorvem o impacto nos pés e pernas.

Um exemplo é a empresa Kangaroos USA, que em meados dos anos 80 aplicou os princípios e os materiais das botas lunares em uma nova linha de tênis esportivos. Com a ajuda da Nasa, a Kangaroos patenteou o tecido de espuma de poliuretano tridimensional Dynacoil, que distribui o impacto no seu pé quando você caminha ou corre. Ao enrolar as fibras dentro do tecido, a Kangaroos absorve a energia de seus pés atingindo o solo, devolvendo-a para seu pé.

Outro fabricante de sapatos, a Avia, também converteu a tecnologia as botas lunares para os tênis esportivos. A câmera de compressão patenteada pela Avia fornecia absorção de coque e amortecimento nos tênis por períodos de uso mais longos.


Telecomunicação de longa distância

A capacidade de transportar conversas de longa distância não aconteceu da noite para o dia. Ela não está conectada a uma invenção específica da Nasa - a melhoria das telecomunicações levou décadas para acontecer.


Antes de os homens serem enviados ao espaço, a Nasa construiu satélites que poderiam dizer às pessoas em terra como era o espaço sideral. Usando tecnologia de satélite similar, cerca de 200 satélites de comunicação orbitam o globo todos os dias. Esses satélites enviam a recebem mensagens que permitem que chamemos nossos amigos nos EUA quando nós estamos em São Paulo. A Nasa monitora a localização e a "saúde" desses satélites para garantir que continuemos a falar com as pessoas ao redor do mundo ou no bairro vizinho.

- O mito Tang: Como você pode ver, a pesquisa inovadora financiada através da Nasa tem papel importante em nosso cotidiano. Mas às vezes as pessoas atribuem à Nasa o desenvolvimento de produtos que nada têm a ver com a agência espacial. O mito mais comum envolve o suco de frutas em pó Tang. Embora você ouça com frequência que a Nasa inventou o Tang como bebiba espacial, na verdade a General Mills o fez em 1957. Ele foi associado à Nasa por ter sido selecionado como parte de um experimento, em 1962, para encontrar os alimentos mais adequados para se comer no espaço.


Detector de fumaça ajustável

Onde há fumaça, há fogo. Os engenheiros da Nasa sabiam disso quando estavam projetando a Skylab nos anos 70. A Skylab foi a primeira estação espacial americana, e os astronautas precisariam saber se um incêndio havia começado ou se gases venenosos estavam sendo liberados dentro do veículo. Em parceria com a Honeywell Corporation, a Nasa inventou o primeiro detector de fumaça ajustável com diferentes níveis de sensibilidade para prevenir falsos alarmes.


Você pode saber mais sobre os detectores de fumaça em Como funcionam os detectores de fumaça, mas o primeiro dispositivo a chegar ao mercado é chamado de detector de fumaça por ionização. Isso quer dizer que ele usa um elemento radioativo chamado amerício-241 para localizar fumaça ou gases tóxicos. Quando partículas de ar limpo entram no detector de fumaça, o amerício-241 os ioniza, o que cria uma corrente elétrica. Se partículas externas entram no detector, ele quebra aquela interação, disparando o alarme.


Ranhuras de segurança

Cavar uma ranhura no concreto pode não parecer muito uma inovação, mas isso certamente nos mantêm seguros nas estradas. Também chamado de ranhura de segurança, ou grooving, esse processo simples e salva-vidas insere canais compridos e ocos no pavimento de pistas de decolagem e rodovias. (Se você acompanhou o noticiário sobre o acidente da TAM em 2007 no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, certamente deve ter ouvido falar de grooving.) Essas reentrâncias no concreto desviam o excesso de água da superfície para reduzir a quantidade de água entre os pneus e a estrada ou pista de decolagem. Isso aumenta a fricção entre as rodas e o concreto, melhorando a segurança do veículo.


A primeira vez que a Nasa experimentou o grooving foi nos anos 60. O Centro de Pesquisas Langely queria melhorar a segurança da decolagem das espaçonaves em pistas molhadas. Quando perceberam como a coisa funcionava bem, os engenheiros de transporte começaram a aplicar as mesmas técnicas às rodovias. de acordo com a Nasa, o grooving reduziu em mais de 85% os acidentes em rodovias. Os carros deslizam quando a água entre os pneus e a estrada os separa.
Você pode encontrar outros exemplos de grooving em calçadas, em torno de piscinas e em currais de animais. Essa inovação gerou uma indústria inteira, representada pela International Grooving & Grinding Association.


Ferramentas sem fio

Quando você está aspirando a poeira ou migalhas em casa com um aspirador sem fio, na verdade você está usando a mesma tecnologia que os astronautas usaram na lua. Embora a Black & Decker tenha inventado as primeiras ferramentas à pilha em 1961, a pesquisa relacionada da Nasa ajudou a redefinir a tecnologia que levou a instrumentos médicos leves e sem fio, aspiradores de pó e outras ferramentas.


Em meados dos anos 60, para preparar as missões à lua Apollo, a Nasa precisou de uma ferramenta que astronautas pudessem usar para obter amostras de rochas e solo. A furadeira tinha de ser levíssima, compacta e poderosa o suficiente para cavar fundo na superfície lunar. Já que ligar um cabo a uma furadeira no espaço sideral seria uma façanha difícil, a Nasa e a Black & Decker inventaram uma furadeira de motor magnético movida à bateria. Trabalhando com o contexto de ambiente espacial limitado, a Black & Decker desenvolveu um programa de computador para a ferramenta que reduziu a quantidade de energia gasta durante o uso para aumentar a vida útil da bateria.

Depois do projeto com a Nasa, a Black & Decker aplicou os mesmos princípios para fazer outras ferramentas leves movidas à bateria para o uso diário dos consumidores.


Filtros de água

Água é ingrediente essencial para a sobrevivência humana. Já que as pessoas não podem viver sem água, a capacidade de converter água contaminada em água potável é um feito científico incrivelmente importante.


Os astronautas precisavam de uma maneira de limpar a água que eles levavam para o espaço, já que bactérias e doenças seria altamente problemáticas. A tecnologia de filtrar água já existia desde o começo dos anos 50, mas a Nasa queria saber como limpar a água em situações mais extremas e mantê-la limpa por períodos mais longos de tempo.

Se você observar a água filtrada, poderá detectar pequenos blocos de carvão vegetal dentro dela. Às vezes, quando você usa um filtro de água pela primeira vez, você até percebe pequenos flocos desses blocos. Esse carvão é especialmente ativado e contém íons de prata que neutralizam patógenos na água. Além de matar as bactérias na água, os filtros previnem o crescimento de mais bactérias. As empresas emprestaram essa tecnologia espacial para nos trazer os sistemas de água filtrada usados por milhões de pessoas em todo o mundo.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Conheça as 4 principais analogias anti-religiosas

Conheça algumas sátiras e analogias criadas por ateus e agnosticos para exemplificar que a religião não é uma verdade absoluta e que poderia ter sido criada por pessoas comuns no decorrer da história da humanidade.

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  • O Unicórnio Cor-de-rosa Invisível

O Unicórnio Cor-de-rosa Invisível é a deusa de uma paródia religiosa que satiriza as crenças teístas. Tem a forma de um unicórnio que é paradoxalmente invisível e cor-de-rosa, características que aludem às contradições que alguns atribuem às propriedades das divindades teístas e que fazem com que alguns ateus e cépticos o usem como figura de retórica.

Uma representação gráfica do Unicórnio Cor-de-rosa Invisível

O Unicórnio Cor-de-Rosa Invisível pode ser usado para argumentar que as crenças no sobrenatural são arbitrárias ao, por exemplo, substituir a palavra Deus em qualquer manifesto teísta por Unicórnio Cor-de-Rosa Invisível.

Entre os internautas brasileiros, o Unicórnio Cor-de-rosa Invisível passou a ser abreviado como U.R.I. (de Unicórnio Rosa Invisível), especialmente nos fóruns de debates, incluindo redes sociais como o Orkut, sobre religiões e temas relacionados, como o debate Criacionismo versus Teoria da Evolução.

História

A mais antiga referência ao Unicórnio Cor-de-Rosa Invisível data do dia 7 de Julho de 1990, do grupo de discussão alt.atheism da Usenet.

Posteriormente, Steve Eley (um autor americano de ficção especulativa) escreveu:

"Os Unicórnios Cor-de-rosa Invisíveis são seres de grande poder espiritual. Sabemos isto porque eles são capazes de ser invisíveis e cor-de-rosa ao mesmo tempo. Como em todas as religiões, a Crença do Unicórnio Cor-de-rosa Invisível baseia-se em lógica e fé. Acreditamos que eles são cor-de-rosa e logicamente sabemos que são invisíveis porque não os conseguimos ver."

Em 2007, Niamh Wallace escreveu que o Unicórnio Cor-de-rosa Invisível ganhou ubiquidade como um símbolo do ateísmo.

  • Flying Spaghetti Monsterism

Flying Spaghetti Monsterism, também conhecida como Pastafarianismo ou FSM, em um trocadilho com pasta (macarrão em inglês e italiano) e Rastafáris, é uma religião fundada por Bobby Henderson em 2005 para protestar contra a decisão do sistema educacional do estado americano de Kansas de requerer o ensino do criacionismo ou design inteligente como alternativa ao evolucionismo biológico. Em uma carta aberta enviada ao conselho de educação, Henderson diz acreditar em um Criador sobrenatural chamado Monstro de Espaguete Voador (Flying Spaghetti Monster), formado por espaguete e almôndegas, e pede que Pastafarianismo seja ensinado em aulas de ciências.



A finalidade desta carta, é primeiro, mostrar que todos os argumentos do conselho de educação, para a inclusão criacionismo ou design inteligente nas escolas, também servem para a inclusão do ensino do Pastafarianismo. E em segundo, mostrar que todos os argumentos do conselho de educação, para a não inclusão do Pastafarianismo nas escolas, também servem para a não inclusão do ensino do criacionismo ou design inteligente. E assim mostrar que eles não devem ser apresentados em aulas de ciências.

Devido à sua popularidade e exposição mediática, a Flying Spaghetti Monster é freqüentemente usada por ateus, agnósticos, deístas e outros, como uma versão moderna do Bule de chá de Russell.

Crenças

Muitas das crenças propostas por Henderson foram intencionalmente escolhidas para parodiar argumentos comumente usados pelos defensores do design inteligente.

Recriação do Monstro do Espaguete Voador.

* Um invisível e indetectável Monstro do Espaguete Voador criou o universo, começando com uma montanha, árvores e um anão.

* Aquecimento global, terremotos, furacões e outros desastres naturais são uma consequência direta do declínio no número de piratas desde o século XIX.

* Todas as evidências a favor da evolução foram intencionalmente plantadas pelo Monstro de Espaguete Voador. O "FSM" testa a fé dos Pastafarianos fazendo as coisas parecerem mais velhas do que elas realmente são. "Ele encontra que aproximadamente 75% do Carbono-14 decaiu por emissão de elétrons para Nitrogênio-14, e infere que este artefato tem aproximadamente 10.000 anos de idade, pois a meia-vida do Carbono-14 é de 5.730 anos. Mas o que nossos cientistas não percebem é que toda vez que eles fazem uma medição, o Monstro de Espaguete Voador estará lá mudando os resultados com seu Apêndice Macarrônico. Nós temos vários textos que descrevem detalhadamente como isso é possível e as razões por que Ele faz isso. Obviamente, ele é invisível e pode passar através de matéria ordinária com facilidade."

* O Pastafariano acredita num paraíso que inclui "vulcões de cerveja até onde a vista alcançar" e uma fábrica de strippers.

* O Pastafariano também acredita num inferno, onde a cerveja é sem álcool e quente e as strippers têm doenças sexualmente transmissíveis

* "RAmén" é a conclusão oficial para rezas, certas seções do Evangelho de Monstro de Espaguete Voador, etc. e é uma combinação do termo hebreu "Amém" (também usado no cristianismo) e Ramen, um tipo de macarrão japonês (Lámen).

Carta Aberta ao Conselho de Educação do Kansas

A Carta Aberta ao Conselho de Educação do Kansas é representativa para os reivindicações e as ideias de Bobby Henderson e dos oponentes ao design inteligente:

"Estou escrevendo a vocês com muita preocupação, depois de ter lido suas audiências para decidir se a alternativa Teoria do Design Inteligente deveria ser ensinada juntamente com a Teoria da Evolução. Eu acho que todos podemos concordar que é importante para os estudantes escutarem múltiplos pontos de vista para que assim possam escolher por eles mesmos a teoria que faz mais sentido para eles. Estou preocupado, contudo, que os estudantes somente ouçam uma Teoria do Design Inteligente." Lembremo-nos que existem múltiplas teorias do Design Inteligente. Eu e muitos outros ao redor do mundo temos a forte crença de que o universo foi criado por um Monstro de Espaguete Voador. Foi Ele quem criou tudo o que vemos e tudo o que sentimos. Nós acreditamos fortemente que toda a incontroversa evidência científica do mundo que aponta em direção a um processo evolucionário não é nada além de uma tremenda coincidência, organizada por Ele. E é por essa razão que estou lhes escrevendo hoje, para formalmente requerer que essa teoria alternativa seja ensinada nas suas escolas, juntamente com as outras duas teorias. De fato, eu irei tão longe e direi que, se vocês não concordarem em fazer isso, seremos forçados a processá-los com uma ação legal. Tenho certeza que vocês percebem de onde estamos vindo. Se a Teoria do Design Inteligente não é baseada na fé, mas ao invés disso sendo uma outra teoria científica, assim como alegam, então vocês também devem permitir que nossa teoria seja ensinada, pois também é baseada na ciência, e não na fé. Alguns acham isso difícil de acreditar, então talvez seja proveitoso contar-lhes um pouco mais sobre nossas crenças. Nós temos evidência de que o Monstro de Espaguete Voador criou o universo. Nenhum de nós, claro, estava lá para ver isso, mas temos relatos escritos sobre isso. Nós temos vários extensos volumes explicando todos os detalhes do Seu poder. Também, vocês devem estar surpresos de ouvir que existem 10 milhões de nós, e aumentando. Nós temos a tendência de sermos muito secretos, pois muitas pessoas afirmam que nossas crenças não são substancialmente baseadas por evidência observável. O que essas pessoas não entendem é que Ele construiu o mundo para que pensássemos que a Terra é mais velha do que realmente é. Por exemplo, um cientista pode executar um processo de datação por carbono em um artefato. Ele encontra que aproximadamente 75% do Carbono-14 decaiu por emissão de elétrons para Nitrogênio-14, e infere que este artefato tem aproximadamente 10 000 anos de idade, pois a meia-vida do Carbono-14 é de 5730 anos. Mas o que nossos cientistas não percebem é que toda vez que eles fazem uma medição, o Monstro de Espaguete Voador estará lá mudando os resultados com seu Apêndice Macarrônico. Nós temos vários textos que descrevem detalhadamente como isso é possível e as razões por que Ele faz isso. Obviamente, Ele é invisível e pode passar através de matéria ordinária com facilidade. Tenho certeza que agora vocês entendem o quão importante é que os seus estudantes sejam ensinados sobre esta teoria alternativa. É absolutamente imperativo que eles percebam que evidência observável está no julgamento de um Monstro de Espaguete Voador. Além do mais, é desrespeitoso ensinar nossas crenças sem vestir a Sua roupa escolhida, que claramente é uma completa vestimenta pirata. Não posso medir suficientemente a importância disso, e infelizmente não posso descrever em detalhes o motivo de isso precisar ser feito, pois temo que esta carta já esteja ficando muito longa. A explicação resumida é que Ele fica com raiva se não fizermos assim. Vocês devem estar interessados em saber que o aquecimento global, terremotos, furacões e outros desastres naturais são um efeito direto da diminuição do número de piratas desde o século XIX. Para o seu interesse, incluí um gráfico do número aproximado de piratas versus a média de temperatura global nos últimos 200 anos. Como vocês podem ver, existe uma significativa relação estatística inversa entre piratas e temperatura global. Em conclusão, obrigado por terem tomado o tempo para ouvir nossas visões e crenças. Eu espero que tenha sido capaz de expor a importância de ensinar essa teoria aos nossos estudantes. Nós iremos, com certeza, ser capazes de treinar os professores nessa teoria alternativa. Estou ansiosamente aguardando sua resposta, e espero sinceramente que nenhuma ação legal tenha que ser tomada. Acho que todos podemos olhar para a frente para o tempo em que essas teoria sejam dadas tempo igual na sala de aulas de ciências em todo o país, e eventualmente no mundo. Uma terça parte para Design Inteligente, uma terça parte para Pastafarianismo (ou Monstroísmo Espaguético Voador), e uma terça parte para conjectura lógica baseada em incontroversa evidência observável.

Sinceramente, Bobby Henderson, cidadão preocupado."

Nesse texto se dá conta de toda a força satírica e inteligível da crítica ao criacionismo.

O Capitão Mosey e os 8 Condimentos

Assim como o Judaísmo e outras religiões milenares, o Pastafarianismo também possui uma série de recomendações recebidas por um de seus piratas (Mosey) diretamente do Monstro de Espaguete Voador.

Representação do Capitão Mosey Monesvol recebendo as tábuas com "Realmente preferiria que não..." no Monte Salsa.

Originalmente eram 10 os Condimentos (a população pirata não conhecia a palavra "mandamento") transmitidos por FSM a Mosey, mas este perdeu dois deles enquanto descia o montanha tentando se equilibrar com as tábuas nas mãos. Deste modo, os seguidores do Pastafarianismo seguem apenas 8. Acredita-se que a índole mais pacífica do deus do Pastafarianismo é a principal razão do tom de pedido (Realmente preferiria que não...) utilizado nestas tábuas, diferença marcante em relação ao modo imperativo adotado pelos deuses de outras diversas religiões

Garfo crucificado, um dos símbolos do Monstro do Espaguete Voador.

1. Realmente preferiria que você não agisse como um santarrão imbecil que se acha melhor que os outros quando descrever minha santidade espaguética. Se alguns não creem em mim, não tem problema. Na verdade, não sou tão vaidoso. Além disso, isso aqui não é sobre eles, então não mude de assunto.

2. Realmente preferiria que você não usasse a minha existência como um meio para oprimir, subjugar, castigar, eviscerar, ou ... você sabe, ser mau para com os outros. Eu não peço por sacrifícios, e a pureza é para a água potável, não para pessoas.

3. Realmente preferiria que você não julgasse as pessoas por seu aspecto, ou por como se vestem, ou pela maneira como falam, ou... olhe, seja simplesmente bom, está bem? Ah, e que te entre na cabeça: mulher = pessoa, homem = pessoa, Samey = Samey. Nenhum é melhor que o outro, a menos que falemos de moda claro, sinto muito, mas isso eu deixei às mulheres e a alguns homens que conhecem a diferença entre verde mar e fúcsia.

4. Realmente preferiria que você não fizesse coisas que ofendessem a você mesmo, ou a(o) seu(ua) parceiro(a) amoroso(a) mentalmente maduro(a) e com idade legal para tomar suas próprias decisões. Quanto a qualquer outro que vier criticá-los, creio que a expressão é "não dê a mínima", a menos que você o ache ofensivo, em cujo caso você pode apagar o televisor e sair para dar um passeio, para variar.

5. Realmente preferiria que você não desafiasse as ideias fanáticas, machistas e de ódio aos diferentes com o estômago vazio. Coma primeiro, depois vá ter com os escroques.

6. Realmente preferiria que você não construísse igrejas/templos/mesquitas/santuários multimilionários à minha santidade macarrônica quando o dinheiro poderia ser melhor empregado em (a escolha é sua):

* A. Terminar com a pobreza.
* B. Curar enfermidades.
* C. Viver em paz, amar com paixão e abaixar o preço da televisão a cabo.

Posso ser um ser onipresente de carboidratos complexos, mas desfruto das coisas simples da vida. Eu sei, por isso SOU o criador.

7. Realmente preferiria que você não andasse por aí contando às pessoas que eu falo com você. Você não é tão interessante. Cresça! Te disse que amasses ao teu próximo, você não entende as indiretas?

8. Realmente preferiria que você não fizesse aos outros o que você gostaria que fizesse a você se você gosta de... eh... daquelas coisas que usam muito couro/lubrificante/Las Vegas. Mas se a outra pessoa também gostar da brincadeira (conforme #4), então aproveitem, tirem fotos, e pelo amor de Mike, usem preservativo! É verdade, é um pedaço de borracha. Se eu não quisesse que vocês gostassem de brincar eu teria colocado pregos no playground ou algo assim.

  • Bule de chá de Russell

O Bule de Chá de Russell, eventualmente chamado de Bule Celestial, é uma analogia criada pelo filósofo Bertrand Russell (1872–1970) que tem por finalidade mostrar que a dificuldade de desmentir uma hipótese não torna esta verdadeira, e que não compete a quem duvida desmenti-la, mas quem acredita nela é que deve provar sua veracidade. Num artigo chamado "Existe um Deus?", Russell escreveu:

"Muitos indivíduos ortodoxos dão a entender que é papel dos céticos refutar os dogmas apresentados – em vez dos dogmáticos terem de prová-los. Essa ideia, obviamente, é um erro. De minha parte, poderia sugerir que entre a Terra e Marte há um pote de chá de porcelana girando em torno do Sol em uma órbita elíptica, e ninguém seria capaz de refutar minha asserção, tendo em vista que teria o cuidado de acrescentar que o pote de chá é pequeno demais para ser observado mesmo pelos nossos telescópios mais poderosos. Mas se afirmasse que, devido à minha asserção não poder ser refutada, seria uma presunção intolerável da razão humana duvidar dela, com razão pensariam que estou falando uma tolice. Entretanto, se a existência de tal pote de chá fosse afirmada em livros antigos, ensinada como a verdade sagrada todo domingo e instilada nas mentes das crianças na escola, a hesitação de crer em sua existência seria sinal de excentricidade e levaria o cético às atenções de um psiquiatra, numa época esclarecida, ou às atenções de um inquisidor, numa época passada."

Em seu 2003 livro O Capelão do Diabo, Richard Dawkins desenvolveu esta analogia do bule de chá celestial:

"A razão da religião reagir contra esta ideia, ao contrário da crença no Bule de Chá de Russell, é porque a religião é poderosa, influente, se autoexime e sistematicamente é passada para crianças que são jovens demais para se defenderem sozinhas. Crianças não são compelidas a passar seus anos de alfabetização lendo livros insanos sobre bules de chá. Escolas públicas não excluem crianças cujo pais preferem formatos diferentes de bule. Os crentes no bule de chá não ameaçam com a morte quem não crê no bule, quem duvida do bule ou quem blasfema contra o bule. Mães não aconselham seus filhos a se casarem com mulheres que creem no bule de chá celestial, tal como todos os seus parentes se casaram. Pessoas que misturam leite no chá não têm suas pernas quebradas por quem prefere o chá puro."

O conceito do Bule de Chá de Russell tem sido explorado com humor, mais explicitamente do que paródias como a do Unicórnio Cor-de-rosa Invisível ou do Monstro do Espaguete Voador.

  • O Dragão Na Minha Garagem

- Um dragão que cospe fogo pelas ventas vive na minha garagem. Suponhamos que eu lhe faça seriamente essa afirmação. Com certeza você iria querer verificá-la, ver por si mesmo. São inumeráveis as histórias de dragões no decorrer dos séculos, mas não há evidências reais. Que oportunidade! - Mostre-me – você diz. Eu o levo até a minha garagem. Você olha para dentro e vê uma escada de mão, latas de tinta vazias, um velho triciclo, mas nada de dragão. - Onde está o dragão? – você pergunta - Oh, está ali – respondo, acenando vagamente. – Esqueci de lhe dizer que é um dragão invisível. Você propõe espalhar farinha no chão da garagem para tornar visíveis as pegadas do dragão - Boa idéia – digo eu –, mas esse dragão flutua no ar. Então, você quer usar um sensor infravermelho para detectar o fogo invisível. - Boa idéia, mas o fogo invisível é também desprovido de calor. Você quer borrifar o dragão com tinta para torná-lo visível. - Boa idéia, só que é um dragão incorpóreo e a tinta não vai aderir. E assim por diante. Eu me oponho a todo teste físico que você propõe com uma explicação especial de por que não vai funcionar. Qual a diferença entre um dragão invisível, incorpóreo, flutuante, que cospe fogo atérmico, e um dragão inexistente? Se não há como refutar a minha afirmação, se nenhum experimento concebível vale contra ela, o que significa dizer que o meu dragão existe? A sua incapacidade de invalidar a minha hipótese não é absolutamente a mesma coisa que provar a veracidade dela. Alegações que não podem ser testadas, afirmações imunes a refutações não possuem caráter verídico, seja qual for o valor que possam ter por nos inspirar ou estimular nosso sentimento de admiração. O que eu estou pedindo a você é tão somente que, em face da ausência de evidências, acredite na minha palavra.

Extraído do livro de Carl Sagan: "O Mundo Assombrado por Demônios - a ciência vista como uma vela no escuro"


Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Unic%C3%B3rnio_Cor-de-rosa_Invis%C3%ADvel
http://pt.wikipedia.org/wiki/Flying_Spaghetti_Monsterism
http://pt.wikipedia.org/wiki/Bule_de_ch%C3%A1_de_Russell
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